ERGA MUNDUM
Edição especial · Entrevista

Luiz Scarpelli, o fundador, perante o mundo

Da infância simples em Belo Horizonte às cortes da Itália, o advogado, jurista e escritor conta ao Erga Mundum de onde veio, quem o sustentou, por que escreve e por que decidiu criar um jornal do mundo para brasileiros.

Redação Erga Mundum · Outubro de 2026 · 16 páginas
ERGA MUNDUMEdição especial · Entrevista com o fundador · Outubro de 2026
Luiz Scarpelli
Entrevista exclusiva

Luiz Scarpelli

«É possível. Acredita: é possível.»

A infância pobre, o tio que mudou a sua vida, a advocacia entre dois mundos e por que a verdade precisa de quem a conte

Erga MundumNesta edição

Nesta edição

Uma vida contada perante o mundo

Advogado no Brasil e na Itália, jurista e escritor, Luiz Scarpelli fundou o Erga Mundum em outubro de 2026. Nesta entrevista, ele fala pela primeira vez de toda a sua trajetória, do começo.

Nota da redação. O entrevistado é o fundador e editor deste jornal. Por isso, avisamos o leitor no início, como fazemos em toda reportagem que envolve o fundador ou empresas ligadas a ele. As respostas são dele; as perguntas, da redação.
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Luiz Scarpelli
«Eu achava que não sairia nem de Belo Horizonte.»
Luiz Scarpelli · advogado, jurista e escritor
EntrevistaI · Seiscentos gramas

Capítulo I

Seiscentos gramas

Onde começa a história de Luiz Scarpelli?

Começa antes do tempo. Eu nasci prematuro, de seis meses e meio, com seiscentos gramas. Foi a primeira batalha, e quem lutou por mim foi a minha mãe. Ela sempre acreditou em mim, desde esse primeiro dia, e essa crença me deu força a vida inteira.

A minha família era muito simples. Eu fui uma criança pobre em Belo Horizonte, e acreditava, com toda a sinceridade, que nunca sairia da cidade. Não imaginava conhecer nem Contagem, que é aqui do lado.

O senhor começou a trabalhar cedo.

Muito cedo. Ainda criança, vendia chup-chup e lavava carros. Aos doze anos, já era office boy.

«Quem lutou por mim, desde o primeiro dia, foi a minha mãe.»
Luiz Scarpelli

De onde vem o sobrenome Scarpelli?

Da Calábria. O meu bisavô, que também se chamava Luiz Scarpelli, nasceu em 1872, na província de Cosenza, e atravessou o oceano como tantos italianos daquela época. Eu cresci ouvindo falar dessa origem. Lembro do sítio do meu avô, com lampião e fogão a lenha. Muitos anos depois, essa mesma história me levaria de volta à Itália.

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EntrevistaII · O tio Fábio

Capítulo II

O tio que mudou a minha vida

Quem foi o tio Fábio?

O meu melhor amigo de infância. Era irmão da minha mãe e morava com a minha avó. Era ele quem me levava ao Mineirão para ver o Cruzeiro, desde que eu era pequeno. Brilhante, falava quatro ou cinco idiomas e preparou dezessete ou dezoito sobrinhos e netos da minha avó para o vestibular e para concursos, em todas as matérias.

Era capaz de sair de casa de carro, buscar um aluno, dar a aula e depois levá-lo de volta. Era o fiador de quem precisava alugar um imóvel, o braço amigo de toda a família. Aos sábados, havia espaguete italiano com polpetta na casa dele, e todo mundo queria ser convidado.

«Meu filho, a vida passa rápido demais. Aproveita o máximo que você puder.»
Fábio, o tio

E como ele mudou a sua vida?

Com uma frase: "Você tem que estudar." Quando me casei, aos 21 anos, eu só tinha a oitava série. Fiz o supletivo e o ensino médio já casado, e foi ele quem me preparou para o vestibular. Eu passei.

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EntrevistaIII · Todos os ofícios

Capítulo III

Antes do Direito, todos os ofícios

Antes da advocacia, o senhor fez de tudo.

Fiz. Depois de office boy, fui balconista, segurança de boate e vendedor de porta em porta de produtos odontológicos. Fui representante comercial, tive uma loja de produtos odontológicos e uma locadora de vídeo. Também fui torneiro mecânico na Fiat.

Cada um desses trabalhos me ensinou alguma coisa que nenhuma faculdade ensina: a tratar bem as pessoas, a ouvir o cliente, a vender com honestidade e a não ter vergonha de recomeçar. Até hoje uso tudo isso.

Infância
Vendedor de chup-chup e lavador de carros
Aos 12 anos
Office boy
Juventude
Balconista, segurança de boate, vendedor de porta em porta
Comércio
Representante comercial, loja de produtos odontológicos, locadora de vídeo
Indústria
Torneiro mecânico na Fiat

Quem esteve ao seu lado nesse caminho?

Três pessoas, que eu chamo de meu tripé: a minha mãe, o tio Fábio e a Ana Paula, com quem me casei aos 21 anos e que me apoiou em tudo. Somos grandes amigos até hoje. Cheguei aonde cheguei pelo meu esforço, mas muito porque não queria decepcionar quem acreditou em mim.

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EntrevistaIV · O Direito, aos 33

Capítulo IV

A faculdade trancada duas vezes

Como foi a faculdade de Direito?

Comecei tarde, na PUC Minas, onde tive aula com a professora Cármen Lúcia. Tranquei o curso duas vezes, por falta de dinheiro. Terminei na FUMEC, em Belo Horizonte, e me formei aos 33 anos. Eu não tinha pressa de chegar. Tinha certeza de que ia chegar.

Depois de formado, advoguei cerca de dez anos no Brasil para grandes empresas. Contratos se tornaram a minha especialidade, e são até hoje.

«Eu não queria decepcionar quem acreditou em mim.»
Luiz Scarpelli

Qual foi a maior vitória da sua carreira?

Foi pelo tio Fábio, em 2014. Ele adoeceu de uma doença grave e sem cura, e tinha um seguro de vida que só pagava em caso de morte. Todos os advogados que ele consultou disseram que não havia o que fazer. Eu estudei o caso e desenvolvi uma tese inédita: se a doença era fatal e sem cura, o capital deveria ser antecipado em vida, para ele viver com dignidade o tempo que tivesse.

O juiz concedeu a liminar em poucos dias, e logo depois veio o acordo. O dinheiro chegou a tempo de pagar enfermeiros, cuidadores e um motorista até o fim. Eu nunca divulguei esse caso. A dor foi grande demais.

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EntrevistaIV · O Direito, aos 33

E depois disso?

Vieram anos muito difíceis. Entre 2012 e 2015 a minha família passou por doenças graves e por perdas, uma depois da outra, e o tio Fábio se foi. Foi o período mais duro da minha vida.

Mas a frase dele ficou: a vida passa rápido demais. Eu tinha medo de avião, um medo que vinha da minha mãe. Depois que ele morreu, perdi esse medo e comecei a viajar. Já conheci cerca de trezentas cidades em 32 países, sempre visitando museus, catedrais e lugares onde a história aconteceu.

Foi assim que o senhor chegou à Europa?

Foi. Fui para a Europa depois desses anos e, lá, vi de perto a dificuldade dos brasileiros que tentavam ter reconhecida a cidadania italiana. Filas de anos nos consulados, informação desencontrada, gente sendo enganada. Decidi me inscrever como advogado na Itália e abrir o caminho pela Justiça.

«A única certeza é que vamos morrer. Por que deixar de tentar algo que é possível?»
Luiz Scarpelli
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EntrevistaV · A Itália

Capítulo V

Dez anos na Itália, milhares de famílias

Como foi a atuação na Itália?

Vivi cerca de dez anos lá, morei em Treviso, entre outras cidades, e me inscrevi na Ordem dos Advogados de Firenze. No início de 2018, fui um dos primeiros advogados a entrar em Roma com ações de cidadania pela via judicial, contra as filas dos consulados. Essas ações ajudaram a formar a jurisprudência que depois beneficiou dezenas de milhares de ítalo-brasileiros.

Ao longo desses anos, mais de dez mil clientes tiveram a cidadania reconhecida com o meu trabalho. Venci um reconhecimento tardio de paternidade vinte anos depois, quando o prazo era de um ano e dois consulados já tinham negado. Consegui também reconstruir na Justiça a certidão de nascimento de um antepassado, e a família teve a cidadania reconhecida no Tribunal de Roma.

«Milhares de famílias, de volta às suas raízes.»
Luiz Scarpelli

O senhor também estudou na Itália.

Fiz dois mestrados de segundo nível na Sapienza, em Roma: Corrupção e Sistema Institucional, em 2021, e Criminologia Clínica, Psicologia Jurídica e Psiquiatria Forense, em 2022, com louvor. Hoje sou inscrito como advogado no Brasil, na Itália, na Espanha e em Portugal, e no conselho europeu das ordens, em Bruxelas.

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EntrevistaV · A Itália

Em 2025 a Itália mudou a lei da cidadania. O que o senhor fez?

No dia 28 de março de 2025, quando saiu o decreto, eu anunciei publicamente que deixaria de entrar com novas ações de cidadania até haver uma posição concreta da Justiça ou do governo. Não seria honesto vender ao cliente uma esperança que eu não podia garantir. Hoje atuo apenas em casos específicos.

A discussão agora está nas cortes europeias, em Estrasburgo e em Luxemburgo, e o Erga Mundum vai acompanhar cada passo, com os documentos e as fontes, como fez na reportagem de estreia.

O que fica desses dez anos?

Fica o orgulho de ter devolvido a tantas famílias um pedaço da sua história. E fica um aprendizado duro: num mercado que cresceu muito depressa, apareceram também os aproveitadores, os perfis falsos, as falsas assessorias. Eu combati isso, e isso teve um preço.

Brasil
OAB Minas Gerais e OAB São Paulo
Itália
Ordine degli Avvocati di Firenze
Espanha
Ilustre Colegio de la Abogacía de Barcelona
Portugal
Ordem dos Advogados Portugueses
Europa
Council of Bars and Law Societies of Europe
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EntrevistaVI · Os livros e as redes

Capítulo VI

Escrever para quem vier depois

Que preço foi esse?

Os ataques nas redes sociais. Quem combate negócios escusos incomoda, e eu incomodei. Durante muito tempo respondi a cada provocação. Hoje não respondo mais em público: o que precisa ser resolvido, eu levo à Justiça, que é o lugar certo.

O meu nome, o meu sobrenome, vale mais do que a minha vida. Eu quero honrar a família Scarpelli, e quero que os parentes que ainda vão nascer encontrem a verdade sobre mim, não a mentira.

É por isso que o senhor escreve?

Também. Publiquei na Itália I Corrotti e Gli Psicopatici, e no Brasil, Mentira e Verdade, sobre a minha luta contra as quadrilhas digitais que aplicam golpes no mercado da cidadania. Agora preparo a Coleção Scarpelli, com 24 volumes. O último vai se chamar "E aí, valeu a pena?", e só vou escrevê-lo quando todos os outros estiverem publicados.

«Todo mundo que está aqui hoje não estará aqui daqui a cem anos. Eu escrevo para quem vier depois.»
Luiz Scarpelli
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EntrevistaVII · O Organismo e o Erga Mundum

Capítulo VII

Do ataque nasceu a obra

O que é o Organismo Scarpelli?

É a estrutura que reúne tudo o que eu faço, e ela nasceu justamente da perseguição. Primeiro vieram os livros, e com eles a necessidade de uma editora. Depois estudei marketing para construir os meus sites. Ampliei a advocacia no Brasil e criei a defesa de empresas e profissionais atacados no Reclame Aqui, para que outros não passem pelo que eu passei.

São quatro braços e um só propósito: proteger quem constrói e encurtar o caminho de quem está começando.

E a Tríade Scarpelli?

Eu tive um tripé na vida: a minha mãe, o meu tio e a Ana Paula. Três pessoas que acreditaram em mim quando eu ainda não tinha nada. A Tríade é isso: eu quero ser essa pessoa para quem não tem ninguém. Ajudar quem começa, alavancar quem estagnou e reerguer quem foi atacado.

«A primeira coisa que as pessoas têm de aprender é acreditar em si mesmas.»
Luiz Scarpelli
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EntrevistaVII · O Organismo e o Erga Mundum

Por que um jornal do mundo?

Por que um advogado decide criar um jornal?

Porque eu vi, por dez anos, o estrago que a informação falsa faz. Vi famílias perderem dinheiro e tempo por notícia errada, promessa vendida como certeza e perfil falso se passando por especialista. Milhões de brasileiros vivem, estudam e trabalham fora do país, e outros milhões carregam no sobrenome a história de quem atravessou o oceano. Para todos eles, informação confiável vale tanto quanto um documento.

«Informação confiável vale tanto quanto um documento.»
Luiz Scarpelli

O que o Erga Mundum promete ao leitor?

Uma regra simples: só publicamos o que pode ser verificado. Cada manchete traz o nome do veículo e o link para a matéria original. As notícias vêm dos maiores jornais de 33 países e se renovam a cada hora. E nenhuma denúncia é publicada sem apuração, prova documental e direito de resposta.

E quando o assunto for o próprio fundador?

O leitor será avisado, como foi nesta entrevista. E eu não participo da apuração nem da decisão de publicar denúncias que envolvam concorrentes, ex-clientes ou partes em processos meus. "Erga mundum" quer dizer "perante o mundo". É assim que eu quero trabalhar: às claras.

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EntrevistaO manifesto

O manifesto do Erga Mundum

Aqui, a notícia não se compra, não se encomenda e não se cala. Ela se prova.

Escrito pelo fundador no dia em que o jornal foi ao ar, 23 de outubro de 2026, e publicado no alto de todas as páginas do Erga Mundum.

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EntrevistaPara terminar

Para terminar

E agora, o que vem?

Quais são os próximos passos?

Voltei a advogar no Brasil, em todas as áreas que sei fazer bem: contratos, família e sucessões, direito civil, crimes contra a honra, crimes digitais e proteção da reputação. Atendo qualquer pessoa, em qualquer cidade, pelo processo digital. Aos poucos, quero me afastar da cidadania italiana judicial, que me deu muitas alegrias e também muito desgaste.

E quero que o Erga Mundum cresça, com reportagens próprias, entrevistas com autoridades do Brasil, da Itália e da Europa, e uma comunidade de leitores que confie no que lê.

Que mensagem o senhor deixa ao leitor?

Que é possível. Eu era uma criança pobre que achava que não sairia de Belo Horizonte, e hoje sou advogado em quatro países da Europa e viajei o mundo. Persista, insista, seja cabeça-dura. Alguma coisa boa sempre acontece. Acredite em você e ame a si mesmo em primeiro lugar. É possível. Acredita: é possível.

Assinatura de Luiz Scarpelli
Luiz Scarpelli · Fundador do Erga Mundum
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ERGA MUNDUM
Notícias do mundo para brasileiros · perante o mundo

«Aqui, a notícia não se compra, não se encomenda e não se cala. Ela se prova.»

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